domingo, 12 de junho de 2016

MICROCEFALIA E ZIKA DUVIDAS FREQUENTES 2016

 A microcefalia é uma situação bastante antiga dentro da medicina moderna. Justamente porque ela não tem uma única causa. Os vírus, de uma forma geral, podem causar microcefalia. O que a gente mais conhece é o vírus da rubéola, um dos mais antigos e que a gente já tem campanhas para evitá-lo, como a vacinação. Mas o citomegalovírus, que parece uma gripe para a mãe, também pode ser causa de microcefalia. O herpes vírus, a toxoplasmose, alguns estágios da sífilis, menos frequentemente, mas além desses quadros que são infecciosos, você também pode ter alterações do metabolismo do bebê, causando isso; você pode ter alterações do fluxo da placenta, da quantidade de sangue com nutrientes que passa da mãe para esse bebê. Por exemplo, problemas de pressão alta, que muitas vezes acontecem durante o pré-natal, podem acabar gerando um crescimento intrauterino restrito, além da própria situação genética, muitas vezes é uma família que tem tendência a ter um crânio menor ou maior.

Como funciona a ação do vírus nos casos de microcefalia?

Tânia Saad: O vírus passa pela placenta e vai então acometer o tecido cerebral de uma forma que vai desacelerar o crescimento dos neurônios e células que existem. E é essa alteração do crescimento cerebral que vai acabar causando uma alteração na taxa de crescimento do osso. Por isso que leva tanto tempo, nada que vai aparecer em duas, três semanas e possa calcificar o cérebro. Quando há calcificações é indício de que essa infecção aconteceu muito cedo na gestação. A calcificação pode impedir que o cérebro continue a se desenvolver bem.

O vírus pode ser transmitido em uma relação sexual?

Márcio Nehab: A via de transmissão mais conhecida é através do mosquito, o Aedes Aegypti. Ainda é necessário muito estudo para se chegar à conclusão de que pode acontecer a transmissão sexual, pois pouco se conhece sobre o vírus zika. No momento, temos que nos preocupar mais com o vetor conhecido, que é o mosquito, como a via de transmissão do vírus.

Se a mãe tiver o vírus zika durante o período de amamentação, ela pode transmiti-lo para o bebê?

Ana Elisa: Há relatos de pesquisa que mostraram o isolamento do vírus no leite materno, mas não existe comprovação de transmissão por essa via. Não há ainda comprovação suficiente para uma medida tão drástica que é a suspensão do aleitamento materno, que tem uma série de outras vantagens. Portanto, as mães não devem parar de amamentar. A gente sabe que tem outras infecções congênitas que podem ser transmitidas durante a gravidez e que não são transmitidas no aleitamento, embora exista o vírus no leite também. Então, à luz dos conhecimentos científicos atuais, não temos evidências para alterar condutas assistenciais e técnicas no que concerne ao aleitamento materno e aos Bancos de Leite Humano.

Qual o período mais arriscado para a gestante entrar em contato com o vírus transmitido pelo mosquito?

Ana Elisa: Ainda há muito mais perguntas do que respostas sobre o vírus zika. Até o momento, sabemos que o primeiro trimestre é sempre o mais delicado, e isso em qualquer situação, independentemente do zika. É neste período que há mais chances de o vírus, seja ele qual for, ultrapassar a barreira placentária. O que indicamos hoje é que as mulheres devem redobrar os cuidados por todo o período de gravidez.

Como as gestantes podem se prevenir da picada do mosquito? O repelente é o mecanismo mais seguro?


Ana Elisa: O repelente é, de fato, um mecanismo muito importante e eficaz de prevenção. A maior parte das marcas comerciais deles é de uma substância que as grávidas podem utilizar. É indicado usar o repelente em áreas mais expostas. Atenção a mãos, pescoço, rosto e todas as áreas que vão ficar mais expostas inevitavelmente nesse período do verão. Mas existem outras medidas para se prevenir do Aedes Aegypti, como evitar a exposição nos horários de pico do mosquito -amanhecer e anoitecer - e, na medida do possível, usar as barreiras mecânicas, como roupas de manga comprida e calça comprida.

MICROCEFALIA-MÃE ABANDONAM EMPREGO PARA CUIDAR DOS FILHOS 2016

A empregada doméstica Luciana da Silva Lima,de João Pessoa, preferiu abrir mão da própria vida para ficar ao lado da filha Ana Cecília, 2 meses, que nasceu com microcefalia aguda. “Pedi demissão do meu trabalho, não vejo direito minha outra filha de 5 anos e estou largando tudo para cuidar da minha bebê.” Quase todo dia ela precisa viajar mais de quatro horas de Cacimba de Dentro, no interior, para chegar ao ambulatório de microcefalia montado pelo Instituto Cândida Vargas, na capital do estado.

Embora apoiada pelo marido, que a acompanha na rotina de viagens, ela perdeu contato com outras pessoas da família. “Tive zika com três meses de gravidez. Quando soube da microcefalia, fiquei muito abalada e abandonei tudo.” Ela e o marido saem das sessões de fisioterapia e reabilitação esperando alguma melhora nos movimentos do bebê. Como Luciana, outras 30 mães são acompanhadas no ambulatório e 70 estão na fila do diagnóstico. De acordo com a coordenadora da unidade neonatal, Juliana Soares, não há casos de bebês abandonados porque as mães não abrem mão. “São elas que abandonam as próprias vidas em função dos filhos. Muitas vezes, perdem o marido. Quando o vínculo com o marido não é forte, ele abandona mulher e filhos.”

Foi o que aconteceu com Yanca Mikaelle de Lima, 18 anos. Aos sete meses de gravidez, quando o ultrassom revelou que o bebê em sua barriga tinha microcefalia, tudo o que ela esperava era o apoio do marido. Afinal, estavam juntos havia dois anos e tinham outro filho pequeno. A menina Sofya Emanuelle nasceu em 31 de janeiro, na maternidade de Campina Grande, com a má-formação diagnosticada nos exames.

Quando saíram do hospital e voltaram para casa, ela notou que o comportamento do marido havia mudado. Foi ele quem sugeriu que Yanca se mudasse para a casa da mãe, onde, segundo alegou, ela seria mais bem cuidada. Aos poucos, a família do marido também se afastou. O casal está separado. A mulher conta que o ex-marido vai visitá-la apenas para buscar o outro filho do casal, de 1 ano e 10 meses, mas não se preocupa em saber como está Sofya.

MICROCEFALIA-7.500 VAGAS PARA TREINAMENTO PARA LIDAR COM A DOENÇA


O Ministério da Saúde lançou nesta quarta-feira (13) uma orientação para a área médica destinada à estimulação precoce de crianças entre zero a três anos com microcefalia. Segundo o secretário de Atenção à Saúde da pasta, Alberto Beltrame, o documento unifica o tratamento dado para reduzir ao máximo as sequelas da malformação. Os pais deverão ser treinados para dar estímulos adequados aos filhos.

O documento foi elaborado em razão do aumento do número de crianças com a malformação, em decorrência da chegada do zika vírus ao Brasil. Outros protocolos de atenção à criança com retardo no desenvolvimento existem no País, mas este é específico para bebês com microcefalia. O ideal é começar o acompanhamento logo depois do nascimento da criança, mas, de acordo com Beltrame, se todas forem atendidas com até um mês de vida o serviço será satisfatório.

"De zero a três anos, a criança tem uma janela de oportunidades em que a estimulação precoce pode mudar o curso do desenvolvimento ou da consolidação de um eventual falha no desenvolvimento. Esse é o momento essencial em que a maturação neurológica do recém-nascido até os três anos é extremamente importante", explicou o médico.

Segundo o Ministério da Saúde, em todo o País há mais de 1.500 centros especializados em reabilitação, locais onde as crianças terão tratamento especializado. O secretário afirmou que o conteúdo das normas é simples e conta com o apoio da família da criança, que deverá fazer estímulos em casa, de agentes de saúde, e também de especialistas, como médicos, fisioterapeutas, entre outros.

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Toda criança com suspeita de microcefalia deve iniciar o tratamento o mais rápido possível, mas, posteriormente, se for descartado o diagnóstico, o acompanhamento pode ser suspenso. Há crianças com a malformação relacionada ao zika vírus com comprometimento da visão, da audição, da cognição, malformações cardíacas e de membros.

O objetivo central da orientação é reduzir danos e a perda de chances de intervir no momento adequado. O ministério promete abrir em março 7.500 vagas para o treinamento de especialistas que atuarão neste trabalho.

“O que se pode esperar da criança vai depender do grau da gravidade da malformação dela”, disse Beltrame. Ele prevê que "algumas crianças terão vidas muito próximas da normal, outras vão ter mais dificuldades. Uma criança cega vai ter de ser preparada para ter uma vida funcional adequada e para isso existe uma tecnologia específica de cuidado".

A diretriz aborda também o trabalho psicológico para que a família aceite a malformação da criança. “Uma criança com microcefalia representa um baque para a família, porque não é aquilo que ela estava esperando. O bebê não vai ter um desenvolvimento normal”, declara Beltrame, acentuando a importância do acolhimento de toda a família pelo serviço de saúde.

Boletim divulgado pelo ministério informa que há mais de 3.500 casos suspeitos de microcefalia relacionada ao zika vírusno brasil, distribuídos em 20 Estados e no Distrito Federal. Apesar de haver um protocolo unificando os procedimentos para o diagnóstico da malformação, o ministério não divulga o número de casos confirmados. “Os Estados e municípios trabalham para fazer as confirmações dos casos com exames. O que precisamos fazer é consolidar os dados.

APAE AJUDA CRIANÇAS COM MICROCEFALIA

A coordenadora técnica geral da Associação Pestalozzi de Niterói, Jussara Sílvia da Silva Freitas, disse que a instituição está pronta para receber o pequeno Luiz Philipe, que nasceu no fim de 2015 com microcefalia, conforme o DIA noticiou nesta quarta-feira.

O neném, que mora com os pais em Maricá, a 60 quilômetros da capital, precisa iniciar, o mais rápido possível, a terapia de estimulação precoce, para reduzir as sequelas causadas pela microcefalia. Enquanto ainda não recebe atendimento, a mãe do bebê, Pollyana Rabello, estimula o filho com alguns exercícios.

Luiz Philipe será tratado no Centro de Estimulação Precoce, destinados a bebês de 0 a 3 anos. A equipe é formada por fisioterapeutas que trabalham a parte motora e respiratória, terapeutas ocupacionais, fonoaudiólogos, psicólogos, enfermeiros, assistentes sociais e médicos ortopedistas e psiquiatras.

Além da falta de recursos, Jussara critica a morosidade do poder público para encaminhar pacientes. “No posto de saúde, a demora é de dois a três meses só para marcar a consulta. O encaminhamento tem que ser precoce”.

O caso de Luiz Philipe comoveu o Rio. Muitas pessoas demonstraram intenção de ajudar o menino, que é de família muito pobre. “Temos recebido muitas fraldas e leite em pó. Acho que temos estoque para pelo menos um mês”, contou o taxista de Niterói, Fabiano Vieira, responsável por recolher os donativos e encaminhá-los à família do menino. Além de fraldas e leite, a família precisa de ajuda para levar Luiz Philipe às consultas no Instituto Fernandes Figueira, no Flamengo. Quem puder contribuir com donativos, poderá fazer a entrega no Posto BR, que fica na esquina da Rua Tiradentes com Visconde de Moraes, no Ingá, em Niterói. Se preferir auxiliar em dinheiro, o depósito de qualquer quantia deverá ser feito na conta poupança da tia de Pollyana, Alciméia Soares de Oliveira, CPF: 022.391.277-83, na Caixa Econômica Federal (agência 1244, conta 013013 45234-9).

MICROCEFALIA A APAE ESTA AJUDANDO TAMBÉM 2016


Os casos de microcefalia ligados ao Zika vírus deixaram em alerta também as entidades que cuidam de portadores da doença como a Associação de Pais e Amigos do Excepcionais do Rio (Apae Rio) e da Associação Pestalozzi Niterói. Os responsáveis afirmam que não terão condições de atender a demanda que está por vir se não tiverem apoio financeiro do governo. Com isso, elas temem que esse bebês fiquem sem o devido tratamento. Só no Rio há suspeita de 198 casos de microcefalia provocados pelo Zika vírus. No Brasil são 3.670 casos suspeitos e 404 confirmados.

“Sabemos que essa demanda será grande e virá de uma só vez, então não teremos como dar conta se não tivermos mais dinheiro. Essa situação nos preocupa muito. O que está acontecendo é uma atrocidade e uma irresponsabilidade”, avalia a gestora da Apae Rio, Tânia Athayde.

 aguarda o tratamento

A coordenadora técnica da Pestalozzi e professora, Jussara da Silva Freitas, se antecipou ao problema e está em fase final de um programa feito por sua equipe para atender os futuros casos de microcefalia. Os números, no entanto, não são nada animadores. Segundo ela, o projeto prevê a avaliação de apenas mais 16 bebês por mês. 

“Infelizmente, com as condições que temos hoje, só conseguimos chegar a esse número, mas a procura será muito maior e se, não tivermos apoio do poder público, nada poderemos fazer e isso nos entristece”, lamenta ela.

O projeto desenvolvido pela Pestalozzi será enviado à Secretaria Estadual de Saúde. Para Jussara, é preciso que os hospitais públicos estejam preparados para encaminhar o paciente às instituições, o que, segundo ela, não tem acontecido.

“Para atendermos é preciso ter encaminhamento do SUS. Infelizmente, a fase hospitalar não tem sido feita corretamente. Se não houver melhora nessa parte, muitas crianças vão deixar de se tratar”, alerta Jussara.

A partir do dia 13, 71 mil militares das Forças Armadas estarão em 30 cidades do Rio atuando no combate aos criadouros do mosquito Aedes aegypti, que também é transmissor da dengue, chikungunya e do zika.